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  • Dra. Cristiana Travassos

FANTASIAR SIM, POR QUÊ NÃO?

“Imaginação ou imagens mentais. Um produto da imaginação, um especialmente separado, avulso da realidade, ou um devaneio...” “...formação de Imagens mentais de cenas ou, de sequencias de eventos ou experiências que realmente não aconteceram ou que se passaram de modo consideravelmente diverso do fantasiado” American Psychological Association (APA) Dicionário de Psicologia. A definição de fantasia citado acima pode parecer bastante técnica, mas o que quero mostrar nesse texto é que todos somos munidos do poder de fantasiar. Esse poder não é nada sobrenatural e sim, natural e...necessário. A fantasia faz parte do arcabouço que nossa psique se utiliza a fim de nos manter saudáveis psicologicamente. Complicado? O tema fantasia é, na verdade, muito complexo se quisermos analisá-lo de forma íntegra e se faz necessário separarmos a fantasia “saudável” da “patológica”, essa última, presente nos estados psicóticos como também em indivíduos gravemente neuróticos. Por isso, não vem ao caso destrinchá-lo desta maneira agora. No séc. XVII o Dualismo, isto é, a ideia de que MENTE e CORPO são distintos e separáveis foi considerado como certeza irredutível. E foi a partir do sec XX que a Filosofia, a Psicologia e agora, a Medicina passaram a enxergar, com um lente mais potente, o ser humano como um todo unificado, uma unidade de substância e essência. BRUGGER Monismo. WIKPEDIA, 1972. Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Monismo. Acesso em 14 de fev de 2021. Assim, a Psicossomática obteve espaço no meio científico. Eu, você e cada um dos indivíduos somos um organismo com características particulares interligadas. Tá, mas o que isso tudo tem a ver com o hábito saudável de fantasiar? Todos temos frustrações, receios, desejos e a maneira como lidamos com eles pode exigir o auxílio da fantasia, principalmente quando na presença da dor emocional. O ato de fantasiar é um mecanismo de defesa que nos proporciona conforto e ameniza, muitas vezes, as dores da frustração. Ele também se manifesta quando esperamos algo acontecer; é a famigerada expectativa. Será que indivíduos exageradamente racionais, que fazem questão e até se vangloriam de viver sempre dentro dos parâmetros da razão e da lógica, podem apresentar manifestações patológicas no âmbito somático, isto é, parecem adoecer fisicamente com maior frequência? É possível, pelo menos é o que vejo na minha prática clínica. E por que isso? Simplesmente porque o organismo se apresenta de maneira desequilibrada holisticamente. O aparelho psíquico não consegue fazer os ajustes naturais para estabelecer uma ordem saudável porque o individuo não permite que suas frustrações sejam aliviadas pelo ato de fantasiar. O soma então, adoece constantemente como se o organismo pedisse socorro pela grande sobrecarga. Não é difícil compreender. Tudo faz parte de uma complexa engrenagem que deve ser sempre muito bem azeitada. Você já reparou que, na maioria, os portadores de patologia psiquiátrica possuem uma condição física estável? Esses indivíduos sobrevivem de fantasias, essas, frequentemente patológicas e que levam, muitas vezes, a uma distorção da realidade. É justamente o desequilíbrio “para o outro lado”. Viver com saúde é procurar se ajustar aos momentos da vida de uma maneira menos traumática, o que não é sempre fácil, infelizmente. Somos todos humanos e queremos, intensamente, ser felizes. E quanto mais acesso temos a nós mesmos (autoconhecimento), mais suave se torna o caminho a percorrer, seja ele de rosas ou/e espinhos. E a ciência da Psicologia está aí para nos ajudar. Não adie a decisão de procurar ajuda e obter o maior poder de todos: estar bem consigo mesmo.



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